segunda-feira, 13 de setembro de 2010

BULLYING: conhecendo a face oculta da violência

 

BULLYING: conhecendo a face oculta da violência




RESUMO

Bullying em inglês pode significar tirania ou intimidação e compreende todas as atitudes agressivas, intencionais que ocorrem sem motivação evidente e dentro de uma relação desigual de poder. Por se tratar de um problema mundial que afeta, principalmente, a população infantil e juvenil e, portanto, tem implicações na prática educativa, suas diferentes manifestações têm preocupado pais e educadores. Considerando tal situação esse trabalho se propõe a desenvolver uma revisão bibliográfica, com o objetivo de conhecer e ao mesmo tempo divulgar esse fenômeno junto à comunidade, em termos de suas conseqüências sobre aqueles que são alvos dessa violência, bem como sobre o que as praticam. Também busca-se apresentar programas mundiais existentes e voltados para a sua prevenção.
Palavras – chave: bullying, anti–bullying, escola, alunos, pais e professores.


A paz invadindo meu coração
De repente me encheu de paz
Como se o vento de um tufão
Arrancasse meus pés do chão
(Gilberto Gil)


INTRODUÇÃO


As diferentes manifestações de violência vêm adquirindo cada vez mais importância e dramaticidade na sociedade brasileira, especialmente a partir da década de oitenta. Muitas são as suas expressões, os sujeitos envolvidos e as conseqüências. O freqüente envolvimento da população infantil e juvenil com esta realidade ocupa de maneira crescente, as páginas da imprensa falada e escrita. Tal problemática tem muitas implicações do ponto de vista da prática educativa e suas diferentes manifestações têm preocupado, de forma especial, pais e educadores.
Ao analisar o fenômeno da violência vemo-nos diante de uma série de dificuldades, não apenas porque o fenômeno é complexo, mas, principalmente, porque ele nos faz refletir sobre nós mesmos, sobre nossos pensamentos, sobre nossos sentimentos e atos.
            Esse fenômeno, conhecido como Bullying, compreende todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudantes contra outros, causando dores e angústias, e executadas dentro de uma relação desigual de poder (CONSTANTINI, 2004).
            O Bullying acompanha a humanidade desde a pré-história, porém começou a ser pesquisado há cerca de vinte anos na Europa, quando se buscou conhecer o que estava por trás de muitas tentativas de suicídio entre adolescentes.
            O primeiro a relacionar a palavra ao fenômeno foi San Olweus, professor da Universidade da Noruega. Na década de oitenta, Olweus ao pesquisar as tendências suicidas entre adolescentes concluiu que a maioria desses jovens tinham sofrido algum tipo de ameaça.
            “Bullying”, que em inglês pode significar tirania, ameaça ou intimidação, não possui no Brasil, segundo Monteiro (2003), uma palavra que o defina. Em geral, referem-se à maus-tratos, opressão e humilhação que acontecem, entre jovens e crianças.
            O Bullying já se tornou um problema mundial, sendo encontrado em qualquer tipo de escola: primária ou secundária, pública ou privada. Esse fenômeno estimula a delinqüência e induz a outras formas de violência explícita como destaca, Fante (2005). Na maioria das vezes, os autores do Bullying são indivíduos que têm pouca empatia, freqüentemente pertencem à famílias desestruturadas, com pouco relacionamento afetivo entre seus membros, por isso têm grande probabilidade de se tornarem adultos com comportamento anti-social e/ou violento.
O objetivo do estudo é conhecer mais aprofundadamente o fenômeno Bullying e suas conseqüências sobre aqueles que são alvos desse tipo de violência, destacando estudos já realizados em diversos países, bem como programas de prevenção elaborados e desenvolvidos.
Por se constituir em um estudo bibliográfico, cuja “finalidade é conhecer diferentes contribuições científicas sobre o assunto” e ainda “revisar a literatura existente” (GONÇALVES, 2005, p. 58) os dados foram coletados em materiais já elaborados e publicados sobre o fenômeno Bullying em livros, artigos científicos, páginas da WEB, etc.
A importância de se conhecer mais aprofundadamente o fenômeno “bullying”, no contexto da educação, volta-se para a diminuição da violência nas escolas de nosso país, principalmente por sua especificidade, implicações e conseqüências nefastas, visto que acarreta enorme prejuízo à formação psicológica, emocional e sócio-educacional do indivíduo vitimizado (CAVALCANTE, 2004).
Assim, este texto está organizado da seguinte forma: primeiramente um histórico do fenômeno Bullying, sua conceituação e as características de seu desenvolvimento. Em seguida, conseqüências desse fenômeno e as estratégias mais adequadas por sua redução. A partir daí serão apresentados alguns programas anti–Bullying em desenvolvimento em diversos países e as considerações finais.

1. BULLYING

 

1.1 Histórico do fenômeno

Como já destacado o fenômeno Bullying, refere-se às formas de agressão, intencionais e repetidas, sem motivação evidente e numa relação desigual de poder, provocando angústias desencadeadas por um ou mais estudantes contra outro(s). Sendo assim, os atos repetidos entre iguais (estudantes) e o desequilíbrio de poder constituem, segundo Fante (2005), as características essenciais, que tornam possível a intimidação da vítima.
Na Europa, durante a década de 90, ocorreu um número considerável de pesquisas e campanhas que conseguiram reduzir a incidência de comportamentos agressivos nas escolas. Diante disso, diversos pesquisadores em todo o mundo têm direcionado seus estudos para esse fenômeno que toma volumes preocupantes, tanto pelo seu crescimento entre os jovens, quanto por atingir faixas etárias cada vez mais baixas, inclusive relativas aos primeiros anos de escolaridade.
Os trabalhos do Prof. Dan Olweus, na Universidade de Bergen – Noruega (1978 a 1993) foram os primeiros dentro dessa temática. Quando Dan Olweus iniciou suas investigações nas escolas sobre o problema dos agressores e suas vítimas esse assunto não era de interesse das instituições. Na década de 80, três meninos entre 10 e 14 anos, cometeram suicídio. Foi a partir daí, que o assunto despertou o interesse e a atenção das instituições de ensino (CONSTANTINI, 2004).
Olweus pesquisou inicialmente cerca de 84.000 estudantes, 300 a 400 professores e 1.000 pais entre os vários períodos do ensino norueguês. Um fator fundamental para a sua pesquisa sobre a prevenção do Bullying foi avaliar a sua natureza e ocorrência.
Nos primeiros resultados, Olweus e Roland (1989) informaram os primeiros resultados onde verificou-se que 1 em cada 7 estudantes estava envolvido em caso de Bullying. Em 1993, com a publicação do livro “Bullying at School” origina-se uma Campanha Nacional, anti-bullying com o apoio do Governo Norueguês, que consegue reduzir em cerca de 50% dos casos nas escolas. Este programa tinha como características principais desenvolver regras claras contra o Bullying nas escolas, alcançar um envolvimento ativo por parte de professores e pais, aumentar a conscientização do problema, avançando no sentido de eliminar alguns mitos sobre o fenômeno e prover apoio e proteção para as vítimas.
O sucesso e a repercussão dessa ação em outros países, como o Reino Unido, Canadá e Portugal, incentivou tanto o desenvolvimento de outras ações nessa direção, como também mais estudos sobre o fenômeno.
Para se conhecer e refletir sobre o Bullying, é imprescindível promover a orientação, a conscientização e a discussão a respeito do assunto. Nem toda briga ou discussão deve ser rotulada como Bullying, para não se cair no extremo oposto da tolerância zero, o que não irá permitir às crianças e jovens, em fase de desenvolvimento, aprenderem a viver harmoniosamente em grupo. A diferença entre um comportamento aceito e um abuso, às vezes, é muito tênue e cada caso deve ser observado e analisado segundo sua constância e gravidade.

 

1.2. O que é Bullying?: conceituação e características.

            Bullying é uma palavra de origem inglesa adotada em muitos países para definir o desejo consciente e deliberado de maltratar uma outra pessoa e colocá-la sob tensão; é um termo que conceitua os comportamentos agressivos e anti-sociais, utilizado pela literatura psicológica nos estudos sobre o problema da violência escolar (FANTE, 2005).

O termo Bullying tem origem na palavra inglesa bully, que significa valentão, brigão. Como verbo, significa ameaçar, amedrontar, tiranizar, oprimir, intimidar, maltratar, (...). Ainda não existe termo equivalente em português, mas alguns psicólogos estudiosos do assunto o denominam “violência moral”, “intimidação” ou “maltrato entre pares”, uma vez que se trata de um fenômeno de grupo em que a agressão acontece entre iguais – no caso, estudantes (CAVALCANTE, 20004, P. 60).

Trata-se, portanto, de um comportamento ligado à agressividade física, verbal ou psicológica. É uma ação de transgressão, exercida de maneira continuada, por parte de um indivíduo ou de um grupo de jovens definidos como intimidadores nos confrontos com uma vítima predestinada. Sobre esses comportamentos, às vezes considerados irrelevantes, pesa de maneira decisiva a ausência de intervenção por parte dos adultos (CONSTANTINI, 2004).
Por não existir uma palavra na língua portuguesa capaz de expressar todas as situações de BULLYING possíveis, Fante (2005), elaborou um quadro, apresentado a seguir, no qual relaciona ações que podem expressar esse fenômeno.


§         Colocar apelidos;
§         Ofender;
§         Zoar;
§         Gozar;
§         Encarnar;
§         Sacanear;
§         Fazer sofrer;
§         Discriminar;
§         Excluir.
§         Perseguir;
§         Assediar;
§         Aterrorizar;
§         Amedrontar;
§         Humilhar;
§         Agredir;
§         Bater;
§         Chutar;
§         Empurrar.
§         Isolar;
§         Ignorar;
§         Intimidas;
§         Chutar;
§         Empurrar;
§         Ferir
§         Roubar
§         Quebrar pertences.



           







É até considerando comum, entre os alunos de uma sala de aula, a existência de diferentes tipos de conflitos, tensões e interações agressivas apresentadas ou motivadas como diversão ou como forma de auto-afirmação e, também, para a comprovação das relações de força que os alunos estabelecem entre si (CONSTANTINI, 2004). No entanto, essas maneiras de ridicularizar o colega não são apenas “coisas de estudantes”.
Em seus estudos sobre o desenvolvimento do Bullying, o Professor Olwes, percebeu determinadas características comuns que poderiam evidenciar o fenômeno. Seriam elas: comportamentos produzidos de forma repetitiva num período prolongado de tempo contra uma mesma vítima; uma relação de desequilíbrio de poder, o que dificulta a defesa da vítima; ocorrência sem motivações evidentes; reações deliberadas e danosas.
A pesquisa mais extensa sobre essa temática foi desenvolvida na Grã Bretanha, e registra que 37% dos alunos do primeiro grau e 10% do segundo grau admitem ter sofrido Bullying, pelo menos, uma vez por semana.
No Brasil, um estudo realizado pela ABRAPIA – Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência – em 2002, envolvendo 5875 estudantes de 5ª a 8ª séries, de onze escolas localizadas no município do Rio de Janeiro, revelou que 40,5% desses alunos admitiam ter estado diretamente envolvidos em atos de Bullying, naquele ano, sendo 16,9% alvos, 10,9% alvos/autores e 12,7% autores dessas ações.
Os meninos, com uma freqüência muito maior, estão mais envolvidos com o Bullying, tanto como autores quanto como alvos. Já entre as meninas, ele ocorre e se caracteriza, principalmente, como prática de exclusão ou difamação (NOGUEIRA, 2006).

De modo geral, entre os meninos é mais fácil identificar um possível bullying, pois suas ações são mais expansivas e agressivas. Eles chutam, gritam, empurram, batem. São os fortões, os temíveis. Já no universo feminino, o problema se apresenta de forma mais velada. As manifestações entre elas podem ser fofoquinhas, boatos, olhares, sussurros, exclusão (CAVALCANTE, 2004, p.6).

Isso significa que no ambiente escolar, por meio da observação e da discussão sobre o comportamento individual dos alunos, os professores e outros profissionais podem identificar os alvos e os agressores.
            Normalmente, os estudiosos do Bullying destacam a existência de três tipos de papéis desempenhados nessa situação de violência: o expectador, a vítima ou o alvo e o agress.
            O expectador é aquele que presencia as situações de Bullying e não interfere nelas. Essa omissão deve-se a duas razões principais: ou por sentir medo de sofrer represálias ou, ao contrário, por estar sentindo prazer com o sofrimento da vítima e não tem coragem de assumir a identidade de agressor (CONSTANTINI, 2004).
            A vítima, ou o alvo, costuma ser uma pessoa que não dispõe de habilidades físicas e emocionais para reagir, tem forte sentimento de insegurança e um retraimento social que dificulta criar novas amizades ou adequar-se ao grupo, o que a impede de solicitar ajuda aos professores ou funcionários da escola. Ela é freqüentemente ameaçada, intimidada, isolada, ofendida, discriminada, agredida, recebe apelidos e provocações, tem os objetos pessoais furtados ou quebrados. No ambiente familiar, apresenta sinais de evitação, tem medo ou receio de ir para escola, mas não procura ajuda dos familiares. Isso pode fazer com que a vítima troque de escola freqüentemente ou abandone os estudos. Em sala de aula são os que falam menos e podem apresentar alterações no rendimento escolar, dispersão ou notas baixas. Em casos mais graves acaba desenvolvendo sintomas de depressão, perda de sono e pesadelo, podendo chegar a tentar ou cometer suicídio (FANTE, 2005, NOGUEIRA, 2006).
            Já os agressores, normalmente, são pessoas antipáticas, arrogantes e desagradáveis. Alguns estudiosos apontam que essas pessoas vêm de famílias pouco estruturadas, com pobre relacionamento e vivem em ambientes onde o modelo para solucionar problemas é o uso de comportamentos agressivos ou explosivos (FANTE, 2005). Geralmente acham que todos devem fazer suas vontades, pois foram acostumados, por uma educação equivocada, a ser o centro das atenções.
            Fante (2005) destaca, ainda, que os atos Bullying podem ocorrer de duas formas: direta e indireta, ambas aversivas e prejudiciais ao psiquismo da vítima. A direta inclui agressões físicas, tais como: bater, chutar, tomar pertences e verbais, como: apelidar de maneira pejorativa e discriminatória, insultar, constranger. Já indireta ocorre através de disseminação de rumores desagradáveis e desqualificados, visando à discriminação e exclusão da vítima de seu grupo social, talvez seja a que mais prejuízo provoque, uma vez que pode criar traumas irreversíveis.
O Bullying, com toda certeza, já se tornou um problema mundial, sendo encontrado em toda e qualquer escola, não estando restrito a nenhum tipo específico de instituição: primária ou secundária, pública ou privada, rural ou urbana. Pode-se afirmar que as escolas que não admitem a ocorrência de Bullying entre seus alunos, ou desconhecem o problema, ou se negam a enfrentá-lo.
A única maneira de se combater o Bullying, segundo aponta Nogueira (2006), é através da cooperação de todos os envolvidos: professores, funcionários, alunos e pais. Em termos práticos, por exemplo, os alunos poderão criar regras de convivência e discuti-las com a equipe pedagógica, buscando soluções e respeitando as diferenças de cada um. Os pais deverão ser ouvidos e orientados a colocar limites claros de convivência, e ajudar sempre que souberem de algum problema sem aumentar ou diminuir a informação recebida. Mas, ao se identificar um autor e uma vítima, ambos devem ser orientados (NOGUEIRA, 2005), pois  intervir imediatamente, tão logo seja identificada a existência do fenômeno, e manter atenção permanente sobre isso, constiui-se na a estratégia ideal.
Pode-se, então, afirmar que as medidas adotadas pela escola para o controle do Bullying, se bem aplicadas e envolvendo toda a comunidade escolar, poderão contribuir positivamente para a formação de uma cultura de não-violência na sociedade.

2. CONSEQÜÊNCIAS E ESTRATÉGIAS DE INTERVENÇÃO: olhando para o Bullying

           
A conduta Bullying afeta todos os que nele estão envolvidos, em especial a vítima, porque pode continuar a sofrer seus efeitos negativos muito além do período escolar, trazendo prejuízos futuros em suas relações de trabalho e familiar, como também acarretar prejuízos para a sua saúde física e mental (CONSTANTINI, 2004).
As brincadeiras de mau gosto, humilhações, ameaças, intimidações e agressões ocorridas nas escolas atingem direta e negativamente todas as crianças sem exceção, porque passam a experimentar sentimentos de ansiedade e medo. Quando testemunham situações de Bullying e percebem que esse comportamento agressivo não traz nenhuma conseqüência a quem o pratica, por exemplo, podem achar por bem adotá-lo. Sem intervenções efetivas, o ambiente escolar torna-se totalmente contaminado por esse fenômeno (NOGUEIRA, 2006).
As crianças vítimas do fenômeno Bullying, dependendo de suas características individuais e de suas relações com o meio em que vive, em especial o familiar, poderão ou não superar os traumas sofridos na escola. Sendo assim, a probabilidade de crescerem com sentimentos negativos, especialmente com baixa auto-estima, tornando-se adultos com sérios problemas de relacionamento, ou então assumirem, um comportamento agressivo deve ser considerado.
            Dependendo da intensidade do sofrimento vivido, a vítima poderá desenvolver reações intra-psíquicas, com sintomas psicossomáticos, tais como: enurese, taquicardia, sudorese, insônia, cefaléia, dor epigástrica, bloqueio dos pensamentos e do raciocínio, ansiedade, estresse e depressão, pensamentos de vingança e de suicídio, bem como reações extra-psíquicas, expressas por agressividade, impulsividade, hiperatividade e abuso de substâncias químicas (NOGUEIRA, 2006).
            Na infância, segundo Fante (2005), o Bullying também pode desencadear na vítima uma condição psiquiátrica caracterizada por explosões de cólera e episódios transitórios de paranóia ou psicose, conhecida como Borderline Personality Disorder (transtorno de personalidade limítrofe), alterando o desenvolvimento dos sistemas límbicos.
Enquanto a vítima sofre, o agressor experimenta a sensação de consolidação de suas condutas autoritárias. Normalmente, ele apresenta certo distanciamento e falta de adaptação aos objetivos escolares, supervalorizam a violência como forma de obtenção de poder, e tornam-se uma pessoa de difícil convivência na vida, seja pessoal, profissional ou social (FANTE, 2005).
Estudos realizados em diversos países sinalizam para a possibilidade de que autores de Bullying, na fase escolar, venham posteriormente a se envolver em atos de delinqüência ou de criminalidade, inclusive adotando atitudes agressivas no seio familiar (violência doméstica) ou no ambiente de trabalho.
            Em relação aos expectadores, também são afetados por esse ambiente de tensão, podendo tornar-se inseguros e temerosos de que possam vir a ser a próxima vítima do agressor (NOGUEIRA, 2006).

2.1 Estratégias adequadas para a redução do Bullying nas escolas

Não existem soluções simples para se combater o Bullying, dada à complexidade do problema e suas múltiplas causas. Sendo assim, cada escola precisa desenvolver sua própria estratégia para reduzi-lo, e isso demanda conhecer tanto o fenômeno quanto a escola.
Quanto mais precocemente se agir contra o Bullying, mais cedo ele poderá cessar e melhor poderá ser o resultado para os alunos, conseqüentemente para a escola.



. O que é Bullying?

O que é Bullying?




PROGRAMA DE REDUÇÃO DO COMPORTAMENTO
AGRESSIVO ENTRE ESTUDANTES

• APRESENTAÇÃO
• CONCEITUAÇÃO
O que é Bullying?
Onde ocorre Bullying?
De que maneira os alunos se envolvem com Bullying?
E o Bullying envolve muita gente?
Quais são as conseqüências do Bullying sobre o ambiente escolar?
Quais são as conseqüências possíveis para os alvos de Bullying?
E para os autores de Bullying?
E quanto às testemunhas?

• APRESENTAÇÃO
A ABRAPIA, contando com o patrocínio da PETROBRAS, realiza um Programa que visa diagnosticar e implementar ações efetivas para a redução do comportamento agressivo entre estudantes de 11 escolas localizadas no Município do Rio de Janeiro. É seu objetivo sensibilizar educadores, famílias e sociedade para a existência do problema e suas conseqüências, buscando despertá-los para o reconhecimento do direito de toda criança e adolescente a freqüentar uma escola segura e solidária, capaz de gerar cidadãos conscientes do respeito à pessoa humana e às suas diferenças.

CONCEITUAÇÃO
• O que é Bullying?
O termo BULLYING compreende todas as formas de atitudes agressivas, intencionais e repetidas, que ocorrem sem motivação evidente, adotadas por um ou mais estudantes contra outro(s), causando dor e angústia, e executadas dentro de uma relação desigual de poder. Portanto, os atos repetidos entre iguais (estudantes) e o desequilíbrio de poder são as características essenciais, que tornam possível a intimidação da vítima.
Por não existir uma palavra na língua portuguesa capaz de expressar todas as situações de BULLYING possíveis, o quadro, a seguir, relaciona algumas ações que podem estar presentes:
Colocar apelidos
Ofender
Zoar
Gozar
Encarnar
Sacanear
Humilhar Fazer sofrer
Discriminar
Excluir
Isolar
Ignorar
Intimidar
Perseguir
Assediar
Aterrorizar
Amedrontar
Tiranizar
Dominar Agredir
Bater
Chutar
Empurrar
Ferir
Roubar
Quebrar pertences
• E onde o Bullying ocorre?
O BULLYING é um problema mundial, sendo encontrado em toda e qualquer escola, não estando restrito a nenhum tipo específico de instituição: primária ou secundária, pública ou privada, rural ou urbana. Pode-se afirmar que as escolas que não admitem a ocorrência de BULLYING entre seus alunos, ou desconhecem o problema, ou se negam a enfrentá-lo.

• De que maneira os alunos se envolvem com o Bullying?
Seja qual for a atuação de cada aluno, algumas características podem ser destacadas, como relacionadas aos papeis que venham a representar:
- alvos de Bullying - são os alunos que só sofrem BULLYING;
- alvos/autores de Bullying - são os alunos que ora sofrem, ora praticam BULLYING;
- autores de Bullying - são os alunos que só praticam BULLYING;
- testemunhas de Bullying - são os alunos que não sofrem nem praticam Bullying, mas convivem em um ambiente onde isso ocorre.
§ Os autores são, comumente, indivíduos que têm pouca empatia. Freqüentemente, pertencem a famílias desestruturadas, nas quais há pouco relacionamento afetivo entre seus membros. Seus pais exercem uma supervisão pobre sobre eles, toleram e oferecem como modelo para solucionar conflitos o comportamento agressivo ou explosivo. Admite-se que os que praticam o BULLYING têm grande probabilidade de se tornarem adultos com comportamentos anti-sociais e/ou violentos, podendo vir a adotar, inclusive, atitudes delinqüentes ou criminosas.
§ Os alvos são pessoas ou grupos que são prejudicados ou que sofrem as conseqüências dos comportamentos de outros e que não dispõem de recursos, status ou habilidade para reagir ou fazer cessar os atos danosos contra si. São, geralmente, pouco sociáveis. Um forte sentimento de insegurança os impede de solicitar ajuda. São pessoas sem esperança quanto às possibilidades de se adequarem ao grupo. A baixa auto-estima é agravada por intervenções críticas ou pela indiferença dos adultos sobre seu sofrimento. Alguns crêem ser merecedores do que lhes é imposto. Têm poucos amigos, são passivos, quietos e não reagem efetivamente aos atos de agressividade sofridos. Muitos passam a ter baixo desempenho escolar, resistem ou recusam-se a ir para a escola, chegando a simular doenças. Trocam de colégio com freqüência, ou abandonam os estudos. Há jovens que estrema depressão acabam tentando ou cometendo o suicídio.
§ As testemunhas, representadas pela grande maioria dos alunos, convivem com a violência e se calam em razão do temor de se tornarem as "próximas vítimas". Apesar de não sofrerem as agressões diretamente, muitas delas podem se sentir incomodadas com o que vêem e inseguras sobre o que fazer. Algumas reagem negativamente diante da violação de seu direito a aprender em um ambiente seguro, solidário e sem temores. Tudo isso pode influenciar negativamente sobre sua capacidade de progredir acadêmica e socialmente

• E o Bullying envolve muita gente?
A pesquisa mais extensa sobre BULLYING, realizada na Grã Bretanha, registra que 37% dos alunos do primeiro grau e 10% do segundo grau admitem ter sofrido BULLYING, pelo menos, uma vez por semana.
O levantamento realizado pela ABRAPIA, em 2002, envolvendo 5875 estudantes de 5a a 8a séries, de onze escolas localizadas no município do Rio de Janeiro, revelou que 40,5% desses alunos admitiram ter estado diretamente envolvidos em atos de Bullying, naquele ano, sendo 16,9% alvos, 10,9% alvos/autores e 12,7% autores de Bullying.

Os meninos, com uma freqüência muito maior, estão mais envolvidos com o Bullying, tanto como autores quanto como alvos. Já entre as meninas, embora com menor freqüência, o BULLYING também ocorre e se caracteriza, principalmente, como prática de exclusão ou difamação.

• Quais são as conseqüências do Bullying sobre o ambiente escolar?
Quando não há intervenções efetivas contra o BULLYING, o ambiente escolar torna-se totalmente contaminado. Todas as crianças, sem exceção, são afetadas negativamente, passando a experimentar sentimentos de ansiedade e medo. Alguns alunos, que testemunham as situações de BULLYING, quando percebem que o comportamento agressivo não trás nenhuma conseqüência a quem o pratica, poderão achar por bem adotá-lo.
Alguns dos casos citados na imprensa, como o ocorrido na cidade de Taiúva, interior de São Paulo, no início de 2003, nos quais um ou mais alunos entraram armados na escola, atirando contra quem estivesse a sua frente, retratavam reações de crianças vítimas de BULLYING. Merecem destaque algumas reflexões sobre isso:
- depois de muito sofrerem, esses alunos utilizaram a arma como instrumento de "superação” do poder que os subjugava.
- seus alvos, em praticamente todos os casos, não eram os alunos que os agrediam ou intimidavam. Quando resolveram reagir, o fizeram contra todos da escola, pois todos teriam se omitido e ignorado seus sentimentos e sofrimento.
As medidas adotadas pela escola para o controle do BULLYING, se bem aplicadas e envolvendo toda a comunidade escolar, contribuirão positivamente para a formação de uma cultura de não violência na sociedade.

• Quais são as conseqüências possíveis para os alvos?
As crianças que sofrem BULLYING, dependendo de suas características individuais e de suas relações com os meios em que vivem, em especial as famílias, poderão não superar, parcial ou totalmente, os traumas sofridos na escola. Poderão crescer com sentimentos negativos, especialmente com baixa auto-estima, tornando-se adultos com sérios problemas de relacionamento. Poderão assumir, também, um comportamento agressivo. Mais tarde poderão vir a sofrer ou a praticar o BULLYING no trabalho (Workplace BULLYING). Em casos extremos, alguns deles poderão tentar ou a cometer suicídio.

• E para os autores?
Aqueles que praticam Bullying contra seus colega poderão levar para a vida adulta o mesmo comportamento anti-social, adotando atitudes agressivas no seio familiar (violência doméstica) ou no ambiente de trabalho.
Estudos realizados em diversos países já sinalizam para a possibilidade de que autores de Bullying na época da escola venham a se envolver, mais tarde, em atos de delinqüência ou criminosos.

• E quanto às testemunhas?
As testemunhas também se vêem afetadas por esse ambiente de tensão, tornando-se inseguras e temerosas de que possam vir a se tornar as próximas vítimas.

Bullying no Ambiente Escolar”

Bullying no Ambiente Escolar”




Centro-Oeste tem o maior índice de Bullying nas escolas
Por Flávia Moreno - Do jornal “O Hoje” – www.ohoje.com.br

A região Centro-Oeste é a que mais tem registro de bullying no País. De acordo com a pesquisa “Bullying no Ambiente Escolar”, elaborada em 2009, nas cinco regiões do Brasil pela ONG Plan Brasil, Centro de Empreendedorismo Social e Administração em Terceiro Setor e pela Fundação Instituto de Administração, o bullying é mais praticado dentro do universo escolar nas regiões Sudeste, com 12,1% e Centro-Oeste, onde 14% confessaram esse tipo de atitude que tem um envolvimento maior de estudantes de 11 a 15 anos de idade. O Nordeste é a região do país onde o bullying é menos comum, entre 7,1% dos estudantes.
A sala de aula é apontada como local preferencial das agressões, onde acontecem cerca de 50% dos casos relatados de acordo com a pesquisa. Segundo o pesquisador da Coordenação de Ensino Especial, professor de Psicopedagogia e supervisor da Psicopedagogia Clínica do Instituto Consciência de Goiânia, Rogério Goulart Paes, a região Centro-Oeste ter os maiores índices de bullying entre adolescentes é alarmante e merece reflexões. Todavia, ele defende que Goiás avançou muito nas discussões buscando compreender os fatores que levam ao bullying e suas diferentes dimensões para implementar projetos Anti-Bullying nas escolas levando um processo de educação e cidadania.
Esse parece ser um termo novo no Brasil, mas já acontece há muito tempo. O cabeleireiro Leandro Evangelista, de 37 anos, por exemplo, foi vítima de bullying quando este termo ainda nem e xistia. E por mais de 10 anos ele sofreu violência física, psicológica e verbal dos colegas. Ele se lembra de quando tinha 5 anos, quando na hora do recreio saía correndo e ficava em cima do pé de goiaba para não apanhar. “Teve uma vez que alguns alunos jogaram um pneu em cima de mim e cai e cortei o supercílio”, relata ele.
De 1981 a 1989, no Ginásio, a situação ficou ainda pior. “Quando tinha 8 anos um garoto me empurrou da escada e machuquei os rins. Fiquei 40 dias sem ir à escola e depois, quando voltei, a professora beijou todos os alunos, menos eu”, conta ele, que sofria porque era magrinho e tinha orelha de abano. Com 12 anos, ele fez cirurgia plástica na orelha para tentar dentro do convívio social, já que recebia muitos petelecos. Nesta mesma época ele começou a fazer terapia, o que o ajudou a superar os traumas.
Para não se machucar mais, ele criou “medidas de segurança”. “Meu pai me deixava na escola, mas eu só entrava quando todos os alunos já tinham entrado na sala de aula, caso contrário, eu tinha que passar por um corredor polonês, onde me batiam.”
Evangelista admite que não sabe porque era excluído, e que não compartilhava a situação com os pais e a diretoria da instituição de ensino porque tinha vergonha e medo de não ser compreendido. “Quem sofre de bullying não quer que ninguém saiba, pois é doloroso e vergonhoso. Somos discriminados”. Ele explica que as pessoas são rotuladas porque são gordas, magras, de outra raça, tem gostos diferentes do comum etc. “Com 13 anos, eu gostava de teatro, música clássica e viajava muito, e penso que isso ajudava também na exclusão.”
Hoje, ele já superou os traumas, que serviram para que ele amadurecesse, mas ele garante que não é fácil. “Já doeu muito, mas hoje não. Dei a volta por cima”. Porém, as imagens daquele tempo continuam ali, vivas na memória. “As imagens são nítidas”, afirma.
Em entrevista à Revista Istoé, o especialista em violência entre estudantes, Allan Beane, que é uma referência mundial no assunto por seus 36 anos de experiência como educador, afirma que o bullying sempre existiu, mas nunca foi tão frequente e cruel. Ele revela também que dados apontam que 30% dos suicídios entre jovens são causados pelo bullying. Porém que acredita que esse número seja maior.

Pais devem observar comportamento

Para identificar se uma criança está sendo vítima de bullying, os pais devem ficar atentos aos sinais e instruir os filhos e orientá-los. E nessa situação, o diálogo e confiança são importantíssimos. “O filho pode ficar intimidado a falar, então temos que fazer leituras corporais e observar as ações, ver se chega da escola e está nervoso; se começa a fugir das situações escolares; se na hora de levar o filho, ele não está querendo entrar na escola; isolamento. Isso não é da noite para o dia. Isso é um sinal de que está acontecendo alguma coisa errada”, alerta Paes.
Outros detalhes a serem observados é que a vítima normalmente apresenta alguns sintomas: menor rentabilidade escolar, timidez, apatia, isolamento, constantes receios, baixa estima, fraca capacidade de argumentar, nervosismo, apresenta questões psicossomáticas, ou seja, começa a ir à escola, sente dor de cabeça, dores no estômago, porque quer fugir das situações, apresenta graus de depressão psicológica, que precisa ser investigado. Ele tem uma rotina diária, e começa a fugir de tudo que está relacionado ao ambiente que sofre bullying. (F.M.)

Professores não podem agir com corte temporal

Apesar da metade das ocorrências de bullying estarem registradas dentro das escolas, o cabelereiro Leandro Evangelista alerta que a prática está em todo lugar onde tenha crianças. “Nas festinhas eu sempre procurava ficar perto dos adultos para não me machucar.”
O cabeleireiro destaca que na época que foi vítima de violência, a escola não tinha preparo nem professores, o que piorava ainda mais a situação. Entretanto, o professor Rogério afirma que a pedagogia tem buscado perceber o indivíduo na sua totalidade e tem estudado a realidade do bullying. “O educador tem que ter sensibilidade para saber quem está sendo vitimado, quem é o agressor e espectador.”
Por esse motivo, ele ressalta a importância do professor não fazer um corte temporal da situação. “Se pegarmos dois alunos na situação de bullying e confrontá-los, isso leva a uma coisa imediata. Temos que levar dentro da unidade escolar uma reflexão daquelas ações. O aluno tem que refletir sobre suas ações dentro e fora da unidade.” (F.M.)

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Bullying nas escolas
• Conceição Padial - 27 de abril de 2010 às 3:05
Se quisermos enfrentar a violência escolar de perto, primeiro temos que reconhecê-la como violência decorrente da contradição estrutural inerente à nossa sociedade. Temos que entender as especificidades da população brasileira.
Acredito que ao importar um padrão de comportamento e padrões de conduta profissional para enfrentar esse tal “bullying”; estamos fugindo da verdadeira situação das escolas brasileira.

A colonização no Brasil foi extrativista – diferente da ocupação produtiva que ocorreu nos Estados Unidos – e os colonizadores eram em geral homens que vinham sozinhos com um único sonho: enriquecer e voltar a Portugal. Como diz Gramsci o passado sempre continua presente e, até os nossos dias um contingente enorme de pessoas agem como se estivessem por aqui de passagem.

Somos uma sociedade que conhece o trabalho livre só há cerca de 120 anos, e que ainda tem a vivência de trabalho escravo e de tráfico de pessoas. A monarquia está tão presente nas nossas vidas que ainda cultuamos o primeiro damismo. E, por mais absurdo que possa parecer, ainda cobram uma atitude assistencialista (fundamentada no primeiro damismo) da Sra. Marisa, que se casou com um metalúrgico que hoje é Presidente da República. Ela é uma mulher trabalhadora que merece todo o nosso respeito e não podemos admitir que seja reduzida a uma primeira dama; esse papel não lhe cai bem!

Saímos recentemente de uma ditadura. E alguns meios de comunicação fazem questão de responsabilizar o executivo por atribuições específicas do judiciário ou do legislativo. E, ao denunciar a corrupção, desmerecem instituições como o legislativo – tão caro e essencial para a garantia da democracia.

Os meios de comunicação disseram por ocasião da comemoração do aniversário de Brasília que a cultura musical que predomina na capital do Brasil é o rock. Mas Brasília não é uma unidade da federação multicultural?
A educação no Brasil tem sua origem na catequese com controle de comportamento e punições rigorosas. A mulher só tem direito ao voto há setenta anos. Até poucas décadas atrás, o homem que matasse uma mulher em defesa de sua (dele homem) honra, tinha sua pena atenuada.E para completar, vivemos em um Estado oligárquico, o berço da UDR (lembra da UDR?).

Eu acredito que as expressões sociais decorrentes da contradição capital trabalho (em nosso país) só podem ser enfrentada a partir do conhecimento da nossa realidade e da discussão honesta, transparente e aberta com os verdadeiros sujeitos dessa realidade.

No Brasil temos violência física (e sexual), cultural, sexista, racial, social, política, psicológica e econômica, dentre tantas outras.

Falar em “bullying” é mascarar a realidade e suas múltiplas determinações, é reduzir elementos de conflito que compõe a questão social. É tentar importar uma alternativa que não funciona em outros países e, claro que não vai funcionar aqui.

A violência só pode ser enfrentada com justiça social equidade e acesso universal aos bens e serviços socialmente produzidos.

Projeto Bullying


Publico; ensino fundamental
Projeto: Bullying, uma história que precisa acabar

Projeto Bullying, uma História que Precisa acabar com o objetivo de informar e conscientizar todos de um problema que é mundial, podendo ser encontrado em qualquer escola.
O termo bullying envolve agressões verbais ou físicas intencionais e repetidas que ocorrem entre estudantes, podendo levar a vítima à dor e à angústia.
A palavra bully significa valentão, o autor das agressões.
Etapas do Projeto
1. Os alunos devem pesquisar o assunto, organizarem um mural relacionando algumas ações que podem estar presentes no bullying.


2. Os alunos devem desenvolverem uma produção textual realizando uma campanha publicitária levando o conhecimento do assunto aos outros alunos.

3. Estimular a criatividade, as crianças confeccionando uma história em quadrinhos (HQ) criando enredos e seus próprios desenhos.

4. dividir os aluno em equipes e criar peças teatrais, que possam ser apresentadas em outras salas, estimulando a oralidade e a criatividade.
Dicas:
• Quando os textos estiverem prontos, corrija a ortografia e as inadequações gramaticais.
• Peça aos alunos que reescrevam o texto com letra legível e prestando atenção nas correções feitas.
• O mural deve ser feito com papel colorido e exposto junto com os demais trabalhos produzidos para que outros alunos da escola também possam prestigiar.
• Organize as produções textuais, os desenhos, a réplica do mural, as peças produzidas, fotos e reúna-os num portfólio, assim você acompanhará a tr

bullying: A Síndrome da Humilhação



bullying: A Síndrome da Humilhação

Bullying: A Síndrome da Humilhação

Escrito por Sandra Regina da Luz Inácio
Palavra que entrou no cotidiano desde a última década, o Bullying é na verdade uma forma de aplicação de atos de humilhação (Dan Owelus, 2001), sendo utilizados para isso atos físicos ou psicológicos. As marcas deixadas pelas agressões físicas são conhecidas por todos. Podem deixar desde um simples arranhão, até seqüelas permanentes. Já o lado psicológico da humilhação, apesar de estudado durante décadas, ainda não teve um parecer conclusivo.

Entre outras emoções e sintomas podem ser considerados conseqüências de humilhações sofridas ao longo da vida a baixa auto-estima, angústia, tristeza, depressão, irritabilidade, instabilidade emocional, pânico e raiva.
A humilhação está estreitamente vinculada ao sentimento de inferioridade existente em todo ser humano. Se um indivíduo se sente humilhado é porque alguém, através de algum ato o fez sentir-se inferior.

Este sentimento de inferioridade é parte integrante dos conteúdos inconscientes de nossa formação. O herdamos arquetipicamente e é, geralmente, renovado através de nossa socialização, e das experiências no decorrer da vida.

Para muitas pessoas é necessário colocar o outro na situação inferior, em desvantagem, para que eles mesmos possam se sentir grandes, importantes.

Quando lançamos mão deste terrível instrumento estamos falando da humilhação, ou como alguns preferem chamar, Bullying.

O objetivo da humilhação tem como principal característica a destruição moral daquele que a sofre. Se existe uma situação onde a dor emocional do homem é percebida com facilidade é através da humilhação, pois nela o indivíduo se vê exposto e a vergonha toma conta de seu ser.

Todos nós possuímos um lado da personalidade sobre o qual não nos atrevemos a falar ou expor. É onde encontramos aquelas qualidades que julgamos negativas, indesejadas. Esforçamo-nos muito, ao longo da vida, para escondê-las, mas na humilhação serão justamente aspectos deste lado sombrio que ficará evidenciado.

Quando a humilhação é constante a pessoa que a sofre perde a identidade porque ela mesma e os demais a reconhecerão somente através daquela característica negativa que está sendo focada, como se a pessoa fosse somente aquele lado negativo. A parte se incumbirá de determinar o todo.

O respeito e amor próprio ficam totalmente prejudicados e a própria pessoa se colocará em posição de humildade, carregando um forte sentimento de culpa, por possuir aquela qualidade julgada negativa.

Na maioria das relações humanas defrontamo-nos, diariamente, com a humilhação nas formas mais sutis, porém, nem por isso, ela é menos perversa, incluindo-se aquelas onde é entendida como método apropriado de educação.

A humilhação sofrida na infância, como forma de educar é uma das piores formas de traição que o ser humano pode sofrer. A criança não tem capacidade de reflexão e análise para entender que o adulto que a humilha está tentando exorcizar seu próprio sentimento de inferioridade, e, que ela não é somente aquele lado ruim. Levará anos para que uma criança que teve como método educativo a humilhação consiga se refazer do estrago causado em sua personalidade.

Encontramos também, a humilhação como forma de repressão e condicionamento em diversas instituições como nas prisões, exércitos, escolas, empresas, e nos mais diversos grupos sociais.

Há pessoas que fazem do ato de humilhar um hábito, pois é através desta condição que conseguem diminuir a angústia causada pelo próprio sentimento de inferioridade. Quando não conseguimos ver o inimigo dentro de nós o projetamos fora e guerreamos com ele.
A projeção é uma qualidade inerente no ser humano e acontece diariamente durante toda a vida e aparece em nossos relacionamentos com o mundo externo. É o processo pelo qual uma qualidade inconsciente da pessoa é percebida em outra pessoa ou objeto externo. Por ser inconsciente esta qualidade, e podendo ser negativa ou positiva, ela é projetada sem qualquer controle do nosso ego, não escolhendo o que nem onde iremos projetar aquele conteúdo.

Durante este processo vemos aquela determinada característica que nos pertence, mas que não a vemos em nós, como uma qualidade específica daquela outra pessoa e logo procuramos apontá-la porque nos incomoda imediatamente.

Este mecanismo, de projeção, não é diferente no caso de humilhação. Aquele que humilha o outro, apontando nele alguma inferioridade ou característica mais fraca, fazendo com que aqueles “defeitos” fiquem em evidência, nada mais faz do que apontar no outro seu próprio lado indesejado e sombrio. É através da projeção que se tem início a produção dos efeitos devastadores da humilhação.

O BULLYING E AS SUAS CONSEQÜÊNCIAS PSICOLÓGICAS

Na atualidade, um dos temas que vem despertando cada vez mais, o interesse de profissionais das áreas de educação e saúde, em todo o mundo, é sem dúvida, o do bullying escolar. Termo encontrado na literatura psicológica anglo-saxônica, que conceitua os comportamentos agressivos e anti-sociais, em estudos sobre o problema da violência escolar.

Sem termo equivalente na língua portuguesa, define-se universalmente como “um conjunto de atitudes agressivas, intencionais e repetitivas, adotado por um ou mais alunos contra outro(s), causando dor, angústia e sofrimento”. Insultos, intimidações, apelidos cruéis e constrangedores, gozações que magoam profundamente, acusações injustas, atuação de grupos que hostilizam, ridicularizam e infernizam a vida de outros alunos, levando-os à exclusão, além de danos físicos, psíquicos, morais e materiais, são algumas das manifestações do comportamento bullying.

O bullying é um conceito específico e muito bem definido, uma vez que não se deixa confundir com outras formas de violência. Isso se justifica pelo fato de apresentar características próprias, dentre elas, talvez a mais grave, seja a propriedade de causar “traumas” ao psiquismo de suas vítimas e envolvidos. Possui ainda a propriedade de ser reconhecido em vários outros contextos, além do escolar: nas famílias, nas forças armadas, nos locais de trabalho (denominado de assédio moral), nos asilos de idosos, nas prisões, nos condomínios residenciais, enfim onde existem relações interpessoais.

Estudiosos do comportamento bullying entre escolares identificam e classificam assim os tipos de papéis sociais desempenhados pelos seus protagonistas: “vítima típica”, como aquele que serve de bode expiatório para um grupo; “vítima provocadora”, como aquele que provoca determinadas reações contra as quais não possui habilidades para lidar; “vítima agressora”, como aquele que reproduz os maus-tratos sofridos; “agressor”, aquele que vitimiza os mais fracos; “espectador”, aquele que presencia os maus-tratos, porém não o sofre diretamente e nem o pratica, mas que se expõe e reage inconscientemente a sua estimulação psicossocial.

Trata-se de um problema mundial, encontrado em todas as escolas, que vem se disseminado largamente nos últimos anos e que só recentemente vem sendo estudado em nosso país. Em todo o mundo, as taxas de prevalência de bullying, revelam que entre 5% a 35% dos alunos estão envolvidos no fenômeno. No Brasil, através de pesquisas que realizamos, inicialmente no interior do estado de São Paulo, em estabelecimentos de ensino públicos e privados, com um universo de 1.761 alunos, comprovamos que 49% dos alunos estavam envolvidos no fenômeno. Desses, 22% figuravam como “vítimas”; 15% como “agressores” e 12% como “vítimas-agressoras”.

Segundo especialistas, as causas desse tipo de comportamento abusivo são inúmeras e variadas. Deve-se à carência afetiva, à ausência de limites e ao modo de afirmação de poder e de autoridade dos pais sobre os filhos, por meio de “práticas educativas” que incluem maus-tratos físicos e explosões emocionais violentas. Em nossos estudos constatamos que 80% daqueles classificados como “agressores”, atribuíram como causa principal do seu comportamento, a necessidade de reproduzir contra outros os maus-tratos sofridos em casa ou na escola. Em decorrência desse dado extremamente relevante, nos motivamos em pesquisas e estudos, que nos possibilitou identificar a existência de uma doença psicossocial expansiva, desencadeadora de um conjunto de sinais e sintomas, a qual denominamos SMAR - Síndrome de Maus-tratos Repetitivos.

O portador dessa síndrome possui necessidade de dominar, de subjugar e de impor sua autoridade sobre outrem, mediante coação; necessidade de aceitação e de pertencimento a um grupo; de auto-afirmação, de chamar a atenção para si. Possui ainda, a inabilidade de expressar seus sentimentos mais íntimos, de se colocar no lugar do outro e de perceber suas dores e sentimentos.

Esta Síndrome apresenta rica sintomatologia: irritabilidade, agressividade, impulsividade, intolerância, tensão, explosões emocionais, raiva reprimida, depressão, stress, sintomas psicossomáticos, alteração do humor, pensamentos suicidas. É oriunda do modelo educativo predominante introjetado pela criança na primeira infância. Sendo repetidamente exposta a estímulos agressivos, aversivos ao seu psiquismo, a criança os introjeta inconscientemente ao seu repertório comportamental e transforma-se posteriormente em uma dinâmica psíquica “mandante” de suas ações e reações. Dessa forma, se tornará predisposta a reproduzir a agressividade sofrida ou a reprimi-la, comprometendo, assim, seu processo de desenvolvimento social.

As conseqüências para as “vítimas” desse fenômeno são graves e abrangentes, promovendo no âmbito escolar o desinteresse pela escola, o déficit de concentração e aprendizagem, a queda do rendimento, o absentismo e a evasão escolar. No âmbito da saúde física e emocional, a baixa na resistência imunológica e na auto-estima, o stress, os sintomas psicossomáticos, transtornos psicológicos, a depressão e o suicídio.

Para os “agressores”, ocorre o distanciamento e a falta de adaptação aos objetivos escolares, a supervalorização da violência como forma de obtenção de poder, o desenvolvimento de habilidades para futuras condutas delituosas, além da projeção de condutas violentas na vida adulta. Para os “espectadores”, que é a maioria dos alunos, estes podem sentir insegurança, ansiedade, medo e estresse, comprometendo o seu processo socioeducacional.

Dependendo do grau de sofrimento vivido pela criança, ela poderá sentir-se ancorada a construções inconscientes de pensamentos de vingança e de suicídio, ou manifestar determinados tipos de comportamentos agressivos ou violentos, prejudiciais a si mesma e à sociedade, isto se não houver intervenção diagnóstica, preventiva e psicoterápica, além de esforços interdisciplinares conjugados, por toda a comunidade escolar.

Esta forma de violência é de difícil identificação por parte dos familiares e da escola, uma vez que a “vítima” teme denunciar os seus agressores, por medo de sofrer represálias e por vergonha de admitir que está apanhando ou passando por situações humilhantes na escola ou, ainda, por acreditar que não lhe darão o devido crédito. Sua denúncia ecoaria como uma confissão de fraqueza ou impotência de defesa.

Os “agressores” se valem da “lei do silêncio” e do terror que impõem às suas “vítimas”, bem como do receio dos “espectadores”, que temem se transformarem na “próxima vítima”.

Se você souber que alguém sofre este tipo de violência, DENUNCIE!!!
Amanhã poderá ser um filho seu ou um ente querid

Projeto Bullying, o crime do desamor


Projeto Bullying, o crime do desamor

Projeto Bullying, o crime do desamor

Introdução

O espaço escolar é o principal lugar de atuação e socialização da criança e do adolescente, lugar privilegiado para a difusão do conhecimento, expansão intelectual e afetiva do aluno. Na sociedade atual, globalizada, capitalista e cada vez mais competitiva, o tempo que os pais podem dedicar a seus filhos é escasso, o que faz aumentar ainda mais as responsabilidades da escola com a educação e a formação geral de futuros cidadãos. Urge a importância de se apropriar desse espaço, fazendo dele um ambiente propício para ampliar a consciência critica de todos os agentes sociais –educadores, pais e alunos – valorizando a participação e a co-responsabilidade como instrumentos importantes à efetiva consolidação da democracia em nosso país e para construir uma escola cidadã, que seja um antídoto eficaz no combate ao desinteresse dos alunos pelos assuntos escolares, à indisciplina e à violência emergente nas escolas e na sociedade, de maneira geral.
A família e a escola devem compartilhar de uma parceria em que o diálogo, a orientação, a educação e a afetividade sejam os instrumentos utilizados para desenvolver relações de respeito mútuo, tendo como foco as relações humanas.
Está na hora de todos terem consciência da necessidade de construirmos uma vida digna. Já não há mais lugar para a violência, há vários tipos de violência. Há uma violência explícita, que está nas ruas, nos bairros, nas cidades e, muitas vezes, dentro das próprias casas. Uma briga entre “amigos” é uma forma de violência; uma discussão mais alterada é também uma forma de violência. A falta de respeito com a natureza também é uma forma de violência. Vamos começar a praticar a “paz” em seu sentido mais amplo, mesmo que seja em pequenas atitudes, como separar uma briga entre amigos, não jogar lixo pelo chão, não maltratar pequenos animais.
Certas atitudes, simples e pequenas, em prol da paz nos tornam grandes e poderosos na preservação dos verdadeiros valores da vida. Com toda a certeza, se a escola formar indivíduos melhores, teremos motoristas melhores, políticos melhores, empresários melhores. E cidadãos melhores.


Objetivos:

 Desenvolver ações de solidariedade e de resgate de valores de cidadania, tolerância, respeito mútuo entre alunos e docentes.
 Estimular e valorizar as individualidades do aluno, além de potencializar eventuais diferenças, canalizando-as para aspectos positivos que resultem na melhoria da auto-estima do estudante. Demonstrar a importância de se cultivar amigos dentro e fora da escola;
 Cultivar os bons hábitos de convivência e amor dentro e fora da família;
 Incentivar o respeito mútuo a partir de atividades compartilhadas em grupo;
 Diminuir o grau de agressividade no relacionamento entre os alunos;
 Aprender e saber respeitar as diferenças físicas e psicológicas que existem entre as pessoas;

Procedimentos metodológicos

 Dinâmicas
 Confecção de cartazes e revista em quadrinho
 Produção textual
 Dramatizações
 Contação de histórias
 Debates e discussões
 Desenhos livres
 Confecção de cartilhas com regras de boas vivencia
 Músicas
 Filmes
 Criação de jornal mural
 Roda de conversa
 Confeccionar uma caixinha com palavras mágicas, palavras de gentileza para usarem em casa, na escola, com colegas e etc.

Recursos
Papéis diversos, lápis décor, tesoura, cola, hidrocor, revistas, filme, cd, DVD, televisão
Avaliação

A avaliação acontecerá ao longo do desenvolvimento do projeto através da observação do desempenho e interesse dos alunos

Bibliografia
Barreto, E. S. S. (Org.). Os currículos do ensino fundamental para as escolas brasileiras. São Paulo: Autores Associados, Fundação Carlos Chagas, 1996.
Busquets, M. D. et al. Temas transversais em educação: bases para uma formação integral. São Paulo: Ática, 1997.
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